Quarta, 08 DE dezembro DE 2021

Curandeiro apareceu após centenas de denúncias sobre abuso sexual

Publicado em:

12 de
dez
Categorias: Mais Lidas, Notícias e Polêmicas. Tags: Abuso sexual, Brasil, Denuncias, João de Deus, Justiça e Mulheres.

Assim que desembarcou num Ford Ka branco, João de Deus foi cercado por seus funcionários, fez uma visita de menos de 10 minutos na sala de atendimento e retornou. Jornalistas acompanharam o trajeto, mas foram impedidos de se aproximar do médium, que fez a primeira visita ao centro Dom Inácio de Loyola depois de ser acusado de abuso sexual por mulheres que buscaram a casa em busca de tratamento espiritual.


No trajeto, funcionários gritavam: "Respeitem! Ele vai falar." A promessa, no entanto, não se concretizou. Apesar do amplo espaço, não foi providenciado um local para a entrevista. Em um rápido pronunciamento que fez aos fiéis, no altar do centro, o médium afirmou que quer cumprir a lei brasileira. "Eu estou na mão da lei brasileira. O João de Deus ainda está vivo". Um vídeo gravado por funcionários sobre a fala foi distribuído para jornalistas.


Ele saiu sem dar entrevista, apenas disse, entre um grito e outro de seus funcionários, no caminho de volta ao carro, que cumpria uma missão dada há 60 anos. E repetiu várias vezes: "Eu sou inocente".


Na confusão, voluntários chegaram a agredir jornalistas. A chegada no centro ocorreu por volta das 9h20, um horário pouco usual. João de Deus, cujo nome de batismo é João de Faria, horas antes havia desembarcado no aeroporto de Anápolis, de um voo procedente de São Paulo.


Esta foi a primeira aparição pública do médium, depois que mulheres vieram a público acusá-lo de abuso sexual. Passados cinco dias após as primeiras denúncias, mais de duas centenas de mulheres procuraram o Ministério Público para fazer relatos semelhantes. Pelo menos quatro inquéritos já foram abertos.


As denúncias afetaram o movimento da casa, onde atendimentos são realizados. Por volta das 8h30, cerca de 400 pessoas - incluindo crianças e duas pessoas de cadeiras de rodas - aguardam a chegada do líder espiritual. Isso representa um terço do movimento habitual. Chico Lobo, um dos funcionários da casa, afirmou que três ônibus - de São Paulo, Rio Grande do Sul e Minas - chegaram à cidade. "É menos que o de costume. Mas há também o impacto da proximidade das festas. Nesta época, tradicionalmente o movimento cai."


Para enfrentar as longas horas, muitos trazem travesseiros ou uma almofada especial, dobrável, para proteger as costas e o quadril. Nesta quarta eram cerca de 200 nessa condição. Outras 200, a maioria usando roupas brancas, foram sentadas em cadeiras situadas num pátio coberto, aguardando atendimento. As pessoas são chamadas em grupos, de acordo com a frequência que vem à casa. De acordo com funcionários, mesmo sem a presença de João de Deus, os trabalhos podem ser realizados. "Onde ele estiver, a energia dele estará aqui", dizia Jacilda.





Negativo
O prefeito de Abadiânia, José Diniz, divulgou uma nota na tarde de terça, em que diz ver as acusações contra o médium João de Deus como um fato negativo para o município. Segundo ele, a cidade "recebe semanalmente milhares de turistas que procuram a cura para as suas enfermidades e anseios, assim colaborando com o desenvolvimento da cidade", em nota. Ainda em nota, o prefeito diz que, às denúncias contra o médium João de Deus, devem ser investigadas e apuradas pelos órgãos competentes.



gospelmund.com


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